O Templo do Senhor

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15 anos batalhando pela fé que foi entregue aos santos.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O Fundamentalismo Presbiteriano no Brasil

O Fundamentalismo Presbiteriano no Brasil


I - Introdução

Há quatro grupos distintos de presbiterianos no Brasil e três deles são frutos de divisões. As divisões tiveram lugar em 1903 - 1940 - 1956.

I.P.I. (1903) - I.P.C. (1940)
I.P.B.
I.P.F. (1956)

Igreja Presbiteriana Independente
A primeira divisão teve como causas o seguinte: A questão de os missionários fazerem parte dos concílios nacionais da Igreja e a maçonaria.
A I.P.B. não quis tratar o problema oficialmente e declarou que a questão deveria ser deixada à consciência individual. O resultado foi a divisão e a formação do presbitério da I.P.I. do Brasil. Logo em seguida contou com 12 ministros. Obs.: Dois nomes importantes nesta liderança: Rev. Eduardo Carlos Pereira e Bento Ferraz.

Igreja Presbiteriana Conservadora
Trinta e sete anos mais tarde houve uma grande polêmica na I.P.I. a respeito das penas eternas. Candidatos ao ministério que não criam nas penas eternas estavam sendo aceitos pela I.P.I.. Desta controvérsia resultou a I.P.C. do Brasil no dia 11/02/1940. Obs.: O Rev. Eduardo Carlos Pereira já havia falecido e a liderança nesse litígio coube ao Rev. Bento Ferraz.

Igreja Presbiteriana Fundamentalista
A causa da origem da I.P.F. do Brasil foi a expulsão do Rev. Dr. Israel Furtado Gueiros do S.P.N. pelas declarações que ele fez contra o Seminário, naquela época.
1 - que o Seminário é controlado pelas missões
2 - que a liderança da instituição é definitivamente em favor do C.M.I (Concílio Mundial de Igrejas)
3 - que os missionários não levantaram objeções ao incidente do professor que alegou haver erros
na Bíblia
4 - foi necessário uma ação unânime do Sínodo para a remoção do referido professor. O Sínodo se
reuniu no dia 13/07/1955

Em agosto de 1959 estes grupos comemoraram o Centenário do Presbiterianismo no Brasil. Todos eles declararam aceitar o sistema doutrinário contido na Confissão de Fé de Westminster.
Quais destes grupos representam em realidade o presbiterianismo histórico em doutrina e prática? Para se responder a esta pergunta importa que examine cuidadosamente a posição doutrinária e prática de cada um destes grupos à luz dos padrões doutrinários e históricos da Igreja Presbiteriana.

II - Origem do Fundamentalismo

a) No decorrer dos anos temos nos acostumados ao uso do termo “Reformado” quanto a vários aspectos da vida da Igreja. Há batistas reformados, presbiterianos reformados , evangélicos reformados.
b) A palavra fundamentalista é um termo conveniente e, qualquer contexto pois implica um sentido definido e reconhecido. Ex. os fundamentos da química, da física, da biologia, etc.
c) O termo não é novo no mundo teológico
- segundo o Dr. Van Glider foi usado no séc XVII, na Inglaterra, entre dois líderes cristãos, como base de concordância.
- em 1653 foi usado pelo Parlamento Inglês quando foi votado dar indulgência para todos os fiéis que professaram os fundamentos da fé.
- o grande arcebispo Usher foi apontado pelo Parlamento para decidir o que havia de fundamental na fé que eles professavam.
- no início do séc XX quando racionalismo na Alemanha e o Unitarianismo da Inglaterra tinham conseguido dominar as principais denominações dos EUA, as doutrinas fundamentais foram reafirmadas em termos da própria controvérsia daquele tempo. Esse movimento de reação contras as doutrinas liberais publicou uma série de livros chamados “Os Fundamentais” e uma série de artigos. Naquele tempo fundaram-se grandes acampamentos, conferências e associações fundamentalistas.
d) As raízes do fundamentalismo foram os protestos contra os modernistas do séc XIX
- aqueles que receberam este nome foram aqueles que se apegavam aos ponto fundamentais da fé cristã, descritos como três “R”: ruína - redenção - regeneração. Preocupação dupla: crer e viver. Um céu a ser ganho e um inferno a ser evitado.
- o antigo fundamentalismo não só se preocupava com aquilo que o indivíduo professava acreditar e sim como ele realmente vivia. Não procurava explicar a Bíblia com pedido de desculpas. Pregava sobre um céu a ser ganho e um inferno a ser evitado.

III - O que é fundamentalismo

“Um movimento do protestantismo do séc XX que enfatiza os pontos fundamentais da inerrância das Escrituras, da segunda vinda de Cristo, dom nascimento virginal, da ressurreição física e da expiação vicária.” - Dic. Webster

1 - O fundamentalismo acata tudo quanto a Bíblia assevera a respeito de Cristo e tudo quanto Jesus
disse a respeito da Bíblia
2 - O fundamentalismo defende o quadro sobrenatural das Escrituras Sagradas desde o princípio até
o fim (criação, inspiração, milagres, profecias, divindade, morte, ressurreição, retorno de Cristo)
ao passo que o modernismo teológico defende o quadro natural (anti-sobrenatural) das Escrituras
Sagradas e da revelação cristã. O fundamentalismo é uma tomada de posição teológica em favor
dos grandes princípios (fundamentos ) da fé cristã
3 - O fundamentalismo nunca foi e nunca será limitado à afirmação de algumas denominações
particulares. Os fundamentalistas estão em todas as denominações evangélicas. Eles tem sido
bons presbiterianos, bons batistas, bons congregacionais. Apesar de divergirmos, entre nós, em
quanto a certas interpretações secundárias das Escrituras, estamos unidos na comunhão e no
propósito em defesa da fé e da pregação do evangelho.

IV - Quem são os anti-fundamentalistas?

1 - Uma Bíblia infalível X Uma Bíblia falível
- no início do séc XX as igrejas protestantes históricas apegavam-se a inspiração completa e a autoridade absoluta da Bíblia, com raríssimas exceções
- certas idéias anti-bíblicas, baseadas na filosofia racionalista começavam a penetrar nas igrejas da Inglaterra e dos E.U.A. tendo originado na Alemanha. Charles Brigs da cadeira de teologia bíblica do Seminário Teológico União em Nova Yorque afirmou, no referido Seminário, em 1891 que haviam três fontes de autoridade divina: a Igreja, a razão e a Bíblia. Deu-se uma batalha entre aqueles que criam ser a Bíblia a única fonte infalível de verdade divina e aqueles que não reputavam a Bíblia como tal.

2 - Só há um método de combater a incredulidade: aberta, honesta e frontalmente

a) Os que se opunham a completa infalibilidade das Escrituras faziam-no a base de certas pressuposições filosóficas que são os primeiros frutos da especulação anti-bílbica
b) Os primeiros fundamentalistas declararam guerra aberta contra estas idéias de incredulidade. Eles compreendiam três coisas:
- compreendiam que a incredulidade disfarçada com máscara religiosa em nada é sincera
- compreendiam que os homens que juram fidelidade às doutrinas históricas da Igreja para depois usarem suas posições para destruírem as mesmas doutrinas históricas não são homens honestos
- compreendiam que a Igreja não é o lugar certo para permitir que os homens continuem a corromper e destruir as doutrinas e a vida da Igreja
c) Os fundamentalistas procuraram informar o povo na esperança de trazer a Igreja à fidelidade da Bíblia. No início da batalha a questão em foco era clara. Era entre uma Bíblia infalível e um mero livro humano.
d) Os membros da Igreja entenderam que os modernistas eram os recém chegados, os inovadores, e que os fundamentalistas se encontravam do lado da posição histórica da Igreja. Por esta razão os fundamentalistas foram capazes de manter suas posições de 1800 a 1920.
e) A outra tática modernista (desprezo e calúnia)
Acusaram os fundamentalistas de falta de amor, de cultura, de compreensão teológica. Identificaram cuidadosamente sua própria posição com um exame sincero, com o amor, com as últimas descobertas científicas. As massas começaram a acreditar que a nova teologia não era tão má assim e que a antiga teologia era por demais rígida e inflexível e assim foram levados a uma posição de neutralidade para com a questão debatida.

V - A diferença entre o fundamentalismo e o modernismo

1 - Fund. - A Bíblia é a Palavra de Deus
Mod. - Não é a Palavra de Deus

2 - Fund. - Jesus é o Filho de Deus em um sentido em que nenhum outro o é
Mod. - Jesus é apenas um filho de Deus no sentido em que podem ser considerados todos os
homens

3 - Fund. - Nascimento de Cristo sobrenatural
Mod. - Nascimento de Cristo natural

4 - Fund. - A morte de Cristo foi expiatória
Mod - Não foi expiatória, apenas um exemplo


5 - Fund. - O homem é produto da criação especial divina
Mod - O homem é produto da evolução

6 - Fund. - O homem é um pecador que decaiu da retidão original
Mod - O homem é uma vítima infeliz do meio ambiente que mediante uma cultura apropriada
pode tornar-se bom

7 - Fund. - O homem é justificado pela fé na expiação pelo sangue de Cristo (regeneração
sobrenatural)
Mod - O homem é justificado por suas próprias obras ao seguir o exemplo deixado por Cristo
(desenvolvimento natural)

VI - Fundamentalista - verdadeiro conservador

Até alguns anos atrás, o termo “conservador” designava a posição de uma pessoa que acreditava nas doutrinas essenciais da fé cristã, tais como são reveladas nas Escrituras, entre elas, a plenária inspiração da Bíblia, a divindade de Cristo, e queda do homem, a morte vicária de Cristo e a salvação mediante o sangue por ele derramado, a ressurreição de Cristo, a sua segunda vinda, o novo nascimento e outras verdades similares.
Aqueles que no passado se chamavam, a si mesmo, “conservadores” rejeitavam comumente toda a crítica destruidora da Bíblia, inclusive a teoria documentária e a aplicação de datas posteriores a muitos livros do Velho Testamento. Os verdadeiros conservadores aceitavam a idéia implícita de que Moisés escreveu o Pentateuco, Isaías escreveu o livro de Isaías, de que Daniel escreveu o livro de Daniel e assim por diante, e que as Escrituras são isentas absolutamente de erros em seus escritos originais.
Nos anos recentes o termo “conservador” tem sido aplicado a homens e livros que não são verdadeiramente conservadores em toda a extensão da palavra.
Um fundamentalista é aquele que crê nos “fundamentos” (doutrinas fundamentais) da fé cristã, tais como são estabelecidas nas Escrituras. No decorrer dos anos a Igreja tem-se apegado a estes grandes fundamentos (a estas grandes doutrinas fundamentais). Os fundamentalistas rejeitaram sempre, decididamente, a crítica destruidora da Bíblia.
De modo essencial, portanto, os fundamentalistas abraçam e defendem as mesmas verdades que costumam abraçar e defender os “conservadores”. Alguns, que são ortodoxos, tem hesitado em usar o termo “fundamentalista” para designar a sua própria posição, por terem conhecido alguns fundamentalistas que, dizem eles, foram belicosos. Beligerância, contudo, é uma atitude não limitada, de modo particular, a determinados indivíduos ou a determinados grupos de indivíduos. Ele é encontrada entre radicais, liberais, conservadores. De fato, quase podemos afirmar que em qualquer setor de atividade do pensamento humano que se possa imaginar, existem beligerantes. Se o termo “fundamentalista” realmente indica uma pessoa que aceita as verdades fundamentais das Escrituras, não há razão para que aqueles que assim crêem recusem este nome.

VII - Por que sou fundamentalista?

Porque o termo evangélico não satisfaz a necessidade de hoje. O termo evangélico não distingue bem entre os verdadeiros e ortodoxos crentes e os falsos.
Por muito tempo o termo “evangélico” foi um termo definido. Hoje temos os chamados neo-evangélicos.
os neo-evangélicos professam o termo “evangélicos”porque é menos ofensivo e oferece maior flexibilidade na sua teologia. Mantém uma coexistência pacífica teológica.

6 comentários:

Claudio disse...

gostei muito deste comentario acerca da igreja presb.FUNDAMENTALISTA do Brasil, Deus abençoe nossa igreja que esta crescendo a cada dia

Claudio disse...

Deus abençoe a nossa Igreja em Tabira

Reformado Sempre Reformando disse...

Graça e Paz.

Rev. Neilson fiquei muito feliz pela forma clara, imparcial e precisa com que você expõe o Presbiterianismo Fundamentalista; ao contrário dos opositores do fundamentalismo bíblico que são verdadeiras metamorfoses doutrinárias ambulantes e inconstantes em seus posicionamentos que se constituem verdadeiras caricaturas ao Verdadeiro e autêntico cristianismo, portanto; prossigamos batalhando pela Fé que foi dada aos santos. Parabéns!

Ronaldo disse...

Este artigo é sublime, educativo e proveitoso para os que buscam vivenciar o Evangelho Inspirado e inerrante de Deus, posso dizer livremente, "o Evangelho é a voz de Deus", louvando então a Deus por esse belissimo artigo, e, "Deus seja louvado!"

Rev. Ronaldo Ferreira Pinto

Júlio Leitão disse...

Prezado irmão: Apreciamos a sua interessante matéria. Conhecemos pessoalmente o Rev. Israel Furtado Gueiros, admirando as suas raras qualidades de pastor, evangelista, médico e líder. Louvamos a Deus pela perseverança dos seus sucessores e pela existência desse respeitado ramo do presbiterianismo nacional. I Coríntios 15: 58. Um abraço fraternal de Júlio Leitão de Melo Neto, ministro congregacional.

BeA disse...

Eu também gostei desta postagem. Devido à canotação negativa do rôtulo "fundamentalista" em nossos dias, eu evitava usar tal rôtulo para me descrever. Porém, eu vejo que, de acordo com a definição aqui, eu sou fundamentalista, sim, e posso ter um certo orgulho disso neste dia de tanta "flexibilidade teológica" (heresia?) no meio "evangélico"!

Agora, eu tenho uma pergunta. Sou missionário no Rio de Janeiro de uma missão norteamericana e presbiteriana chamada "Presbyterian Evangelistic Fellowship" (www.pefministry.org). Porém, minha formação teológica tem sido no dispensacionalismo. A Igreja Presbiteriana Fundamentalista compartilha a herança da Bible Presbyterian Church dos EUA, que prega o dispensacionalismo?

Obrigado por qualquer esclarecimento.